1. Atravessando o rio
  2. De quem é o presente
  3. O Mestre e o Escorpião

 

Atravessando o Rio

Dois monges viajavam juntos por uma caminho lamacento. Chovia torrencialmente o que dificultava a caminhada. A certa altura tinham que atravessar um rio, cuja água lhes dava pela cintura. Na margem estava uma moça que parecia não saber o que fazer:
– Quero atravessar para o outro lado, mas tenho medo
Então o monge mais velho carregou a moça em seus ombros até a outra margem. Horas depois, o monge mais novo não se conteve e perguntou:
– Nós, monges, não nos devemos aproximar das mulheres, especialmente se forem jovens e atraentes. É perigoso. Por que fez aquilo?
– Eu deixei a moça lá. Você ainda a está carregando?

De Quem é o Presente?

Perto de Tóquio vivia um grande samurai idoso que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.

Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.  Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre.

Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.  Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.  No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: – Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
– Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
– A quem tentou entregá-lo – respondeu um dos discípulos.
– O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos – disse o mestre –
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
A sua paz interior, depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir…

 

O Mestre e o Escorpião

Um Mestre Oriental viu um escorpião que se estava afogando, decidiu tirá-lo da água mas quando o fez, o escorpião picou-o. Como reação à dor, o Mestre soltou-o e o animal caiu à água e de novo estava a afogar-se. O Mestre tentou tirá-lo outra vez, e novamente o escorpião picou-o.
Alguém que tinha observado tudo, aproximou-se do Mestre e disse:

* Perdão, você é teimoso? Não entende que de cada vez que tentar tirá-lo da água ele o picará??!

O Mestre respondeu:

* A natureza do escorpião é picar e isso não muda a minha natureza, que é ajudar.

Então, com a ajuda de um ramo, o Mestre retirou o escorpião da água e salvou-lhe a vida.

Não mudes a tua natureza se alguém te magoar.
Apenas toma precauções !!!

English version

Nature of things
Two monks were washing their bowls in the river when they noticed a scorpion that was drowning. One monk immediately scooped it up and set it upon the bank. In the process he was stung. He went back to washing his bowl and again the scorpion fell in. The monk saved the scorpion and was again stung. The other monk asked him,
“Friend, why do you continue to save the scorpion when you know it’s nature is to sting?”
“Because,” the monk replied, “to save it is my nature.”

 

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