Ernst Götsch – Permacultura / Permaculture

Ernst Götsch é um agricultor e pesquisador suíço, criador do conjunto de princípios e técnicas que compõem a Agricultura Sintrópica. Com mais de 40 anos de experiências e realizações, Götsch desenvolveu uma agricultura que concilia produção agrícola e recuperação de áreas degradadas, baseada em processos que mimetizam a regeneração natural e os processos sintrópicos da vida no planeta.

 

 

O QUE É A SINTROPIA ?

Agrofloresta, Agroecologia, Permacultura, Manejo Holístico, Florestas de Comida, Jardinagem Florestal ou ainda Agricultura Sustentável, Regenerativa, Orgânica, Biológica. É importante entender qual é o lugar que a Agricultura Sintrópica ocupa dentro do universo conceitual que já conhecemos, quais são os pontos de conexão e as particularidades tanto nas práticas quanto na lógica que as orienta.

 

DO SIMPLES AO COMPLEXO

De maneira simplificada poderíamos dizer que a entropia caminha do complexo para o simples enquanto que a sintropia progride do simples para o complexo.

Ernst Götsch escolheu o termo “sintropia” por ter a mesma etimologia grega da palavra “entropia”, deixando clara desde o início sua relação dialética. Estamos mais familiarizados com o conceito de entropia que, dentro da Termodinâmica, se refere à função relacionada à desordem de um dado sistema, associada com a degradação de energia. Tudo que se refere ao consumo e degradação de energia é, portanto, explicado pela Lei da Entropia. Por outro lado, os sistemas vivos possuem a capacidade de vencer a tendência à entropia por meio do crescimento e da reprodução, por exemplo. Mais evidente ainda é a tendência dos sistemas naturais de evoluir no sentido de estruturas de organização cada vez mais complexas.

Em um macroorganismo os participantes agem de forma sinergética e, por meio de seu metabolismo, realizam a tarefa de otimizar os processos de vida, aumentando a organização e a complexidade do sistema como um todo.

A tradução dessa lógica para os sistemas agrícolas produtivos é o que faz a AS ser uma agricultura de processos e não de insumos. O resultado disso se manifesta na forma de aumento de recursos e de energia disponível ou, como Ernst Götsch costuma dizer, “no aumento da quantidade e da qualidade de vida consolidada, tanto no sublocal de nossa interação quanto no planeta por inteiro.”

 

A Agricultura Sintrópica trabalha com a recuperação pelo uso. Ou seja, o estabelecimento de áreas altamente produtivas e independentes de insumos externos tem como consequência a oferta de serviços ecossistêmicos, com especial destaque para a formação de solo, a regulação do micro-clima e o favorecimento do ciclo da água.

Trabalhar a favor da natureza e não contra ela, associar cultivos agrícolas com florestais, recuperar os recursos ao invés de explorá-los e incorporar conceitos ecológicos ao manejo de agroecossistemas são algumas das características da Agricultura Sintrópica, mas não são exclusivas dela.

Variações desses fundamentos podem estar associados respectivamente à Permacultura, à Agrofloresta, à Agricultura Regenerativa e à Agroecologia, por exemplo.

Certamente encontraremos aderência de objetivos e convergência de práticas entre essas e muitas outras práticas com bases ecológicas e, diante dos desafios ambientais que hoje enfrentamos, são todas muito benvindas e devem ser devidamente celebradas e estimuladas.

Mas talvez seja justamente por conta dessas intersecções de campos de atuação que muitas vezes os alcances e os limites de cada conceito se confundam.

Uma primeira e simples distinção que poderíamos fazer seria relativa ao fato de que dentro desse universo de conceitos, alguns se referem a sistemas de uso da terra enquanto que outros são sistemas de design e outros ainda uma ciência ou um movimento social e político.

Dentro dessa primeira caracterização, poderíamos dizer que a AS seria também um sistema de uso da terra, porque é voltada para a produção e para a recuperação pelo uso, somada a uma particular cosmovisão.